quinta-feira, 1 de março de 2018

Interpol localiza em Angola mais de 500 kg de cocaína que saíram do Brasil


Cocaína procedente de carregamento brasileiro foi localizada em Angola (Foto: Reprodução/TPA)
Mais de meia tonelada de cocaína pura foi localizada no Porto de Luanda, em Angola, na África, escondida em contêineres que saíram de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo autoridades internacionais, trata-se do 
Carregamento de cocaína foi encontrado em Angola (Foto: G1 Santos)mesmo carregamento que um brasileiro tentou recuperar no Marrocos, mas acabou preso em flagrante.
autônomo Márcio Ricardo de Oliveira, de 40 anos, de Cubatão (SP), é suspeito de chefiar uma quadrilha que foi desmantelada no porto marroquino de Casablanca com 541 kg da droga. Investigações apontaram que ele saiu do Brasil para recuperar a carga, que mudou de trajeto inesperadamente, para levá-la à Europa.
Após a prisão do brasileiro e de mais cinco pessoas, parte do mesmo lote de contêineres foi deslocada para que fosse transportada em outro navio, visando a entrega no destino final da carga. Eles não foram revistados, mas por pertencerem ao carregamento original, houve a suspeita de que tivessem mais cocaína escondida.
Conforme apurado pelo G1, a Interpol se mobilizou e acionou o Serviço de Investigação Criminal de Angola. O Porto de Luanda era a próxima escala da embarcação. Os contêineres com sacas de açúcar, do mesmo lote que saiu de Santos, foram desembarcados e, dentro deles, outras centenas de tabletes de cocaína estavam armazenadas.
O representante local da Interpol, Destino Pedro, afirmou à imprensa que o país não era o real destino do entorpecente. Fontes confirmaram ao G1que a cocaína também deveria ter sido desembarcada em um porto europeu anteriormente, e era alvo do fracassado resgate, cuja coordenação seria do brasileiro preso no Marrocos.
A imprensa angolana noticiou, ainda, que tripulantes italianos do navio Grande Buenos Aires, inclusive o comandante da embarcação na qual foram transportados os contêineres, foram detidos na ação. O navio, conforme sites públicos de monitoramento, permanecia até esta quinta-feira (29) retido no cais, de onde deveria ter saído há cerca de cinco dias.
Ao G1, um representante do escritório brasileiro da Grimaldi, dona do cargueiro, afirmou, na quarta-feira (28), que “não tinha informações que pudessem ser divulgadas”. Autoridades estrangeiras confirmaram, ainda, que a bordo de outro navio, o Grande Brasile, da mesma empresa, as mais de uma tonelada da droga viajaram de Santos a Casablanca.
Pureza máxima
Após a apreensão da primeira metade do carregamento de cocaína no Marrocos, a polícia científica do país, em análise das substâncias, constatou que a droga apresentava 97% de pureza. Os investigadores que acompanham o caso acreditam que ela tenha sido fabricada nos países andinos vizinhos ao Brasil.
Após cruzar a fronteira, o carregamento foi levado até o cais santista, onde acabou escondido no Grande Brasile, que fez escala no porto em janeiro. Autoridades federais brasileiras verificam a eventual participação de Oliveira no esquema. Estima-se que, na Europa, o carregamento total seria vendido por cerca de R$ 160 milhões.
Brasileiro
Autoridades investigam se o brasileiro Márcio Ricardo de Oliveira era o chefe de um grupo de traficantes internacionais preso enquanto tentava recuperar uma carga de cocaína, desembarcada erroneamente no Porto de Casablanca, para levá-la a países europeus. O Itamaraty acompanha o caso.
Oliveira foi preso com outras cinco pessoas, de nacionalidades não informadas, que se preparavam para receber a carga ilegal no cais. Com o grupo, havia uma grande quantia em dinheiro, em diversas moedas, e cinco veículos de alto padrão que seriam utilizados em uma eventual fuga, que acabou frustrada.
As investigações iniciais apontam que a droga não era destinada a ser distribuída no Marrocos ou em nações vizinhas. Na verdade, a cocaína, que foi produzida em países da América do Sul e, posteriormente, escondida em um contêiner em Santos, seria desembarcada em uma escala na Europa, o que não ocorreu.

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