quinta-feira, 2 de março de 2017

Biometria identifica 15,6 mil fraudes eleitorais em dois anos

Em 2015, os funcionários de um banco em Goiânia desconfiaram do documento apresentado por um cliente que queria abrir uma conta. E decidiram chamar a polícia.
Os dados do suspeito foram enviados também à Justiça Eleitoral. Lá, foi verificado que o homem tinha a digital cadastrada – mas não apenas uma vez.
O estelionatário tinha ido a 51 cartórios eleitorais de Goiás e em cada um apresentou nome, data de nascimento e documento de identidade diferentes. Em todas as vezes, saiu com um título de eleitor.

A fraude foi detectada graças à biometria, que cadastra a impressão digital: ela é única e impede que uma pessoa tente se passar por outra no momento da votação. Antes dessa tecnologia, o homem teria conseguido votar até 51 vezes. Agora, responde a um processo criminal.
O caso é o que mais chama atenção num balanço feito pelo Tribunal Superior Eleitoral a que a CBN teve acesso com exclusividade. A biometria começou a ser implantada em 2008 e hoje, um terço dos eleitores do país tem a digital cadastrada.
Entre as eleições de 2014 e 2016, foram verificados 15.600 casos de pessoas com mais de um título de eleitor. O maior número é em Alagoas, onde mais de dois mil documentos estavam duplicados. São Paulo e Goiás vêm logo em seguida como os estados com o maior número de fraudes.
Os títulos foram cancelados e os dados enviados ao Ministério Público, para ser investigados. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, diz que a ideia é expandir o uso da biometria para verificar irregularidades não apenas no processo eleitoral:
‘A gente tem muita confiança de que esse base de dados do TSE poderá ser compartilhada para criar um sistema de um governo eletrônico, um e-government. Estamos muitos animados, não se trata de um sistema apenas para a Justiça Eleitoral, mas para o governo como um todo.’
Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma identidade única, para reunir em um só documento dados como CPF, RG e título de eleitor. Hoje, cada brasileiro chega a ter até 22 documentos, o que facilita fraudes.
A ideia é compartilhar o banco de dados do TSE, para que a biometria seja usada na identificação de irregularidades no INSS e no Bolsa Família, por exemplo. Quatro unidades da federação já cadastraram a digital de todos os eleitores: Brasília, Alagoas, Amapá e Sergipe.
A meta é chega é chegar aos 100% em todo o país até 2022. O custo dessa tecnologia é de R$ 2 por eleitor.
CBN

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