quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

RN lidera números de mortes de bebês por microcefalia no país

Em encontro na UFRN, na tarde de ontem, professores, alunos e profissionais da área de saúde discutiram atuação do grupo de trabalho e formas de prevençãoJá são 106 o número de casos suspeitos de microcefalia registrados no Rio Grande do Norte. O Estado é o quarto em número de casos e está em primeiro em mortes de bebês pela má formação e suspeita de infecção pelo vírus Zika, com sete óbitos, segundo o Informe Epidemiológico sobre Microcefalia, divulgado ontem, dia 8, pelo Ministério da Saúde. Os casos ainda estão em investigação para confirmar a causa dos óbitos. 


Em todo o Brasil, até o dia 5 de dezembro, foram registrados 1.761 casos suspeitos de microcefalia e 19 óbitos, em 422 municípios de 14 estados. Pernambuco apresenta o maior número de casos, com  804 registros, seguido  pela Paraíba  com 316, Bahia (180) e o Rio Grande do Norte. As mortes foram registradas no Rio Grande do Norte (7) e nos estados de Sergipe (4), Rio de Janeiro (2),  Bahia (2), Maranhão (1), Ceará (1), Paraíba (1) e Piauí (1)

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Em meio ao surto de casos, a  Secretaria Estadual de Saúde Pública divulgou ontem (8), nota técnica orientando os profissionais que atuam na rede de atenção básica sobre o reforço nos cuidados com gestantes e o recém-nascido e chamando a atenção para a vigilância dos fatores de risco sanitários e associados à gravidez.

A rede, observa o infectologista Kleber Luz, deve dispor de sistema de referência para as crianças que apresentam a doença com ultrassonografia e tomografia, além de exames complementares, genéticos para afastar outras causas de microcefalia. Para o tratamento em reabilitação, não há definição. O tratamento depende do grau de comprometimento das funções cerebrais. 

O infectologista faz parte de um grupo de trabalho da UFRN que irá atuar em ações educativas sobre o combate ao vetor, a Zika e a mirocefalia. Ele lembra que, além da microcefalia, o vírus Zika pode causar outras más formações em membros superiores e inferiores e nos pulmões, associadas ou não ao quadro de microcefalia. “De forma ainda não explicada, crianças que nasceram de mães que tiveram Zika durante a gravidez apresentam múltiplas má formações e estão morrendo horas depois do parto aqui no Estado”, disse o médico.

Os bebês que nasceram com o o diâmetro da cabeça considerado normal, entre 33 e 37 centímetros, mas que as mães tiveram a doença durante a gravidez,  precisam de acompanhamento com o neuro pediatra devido a possibilidade de apresentar desenvolvimento deficitário.

A nota técnica  divulgada pela Sesap prevê 13 ações  na área de atendimento materno-infantil e medidas emergenciais para intensificar as ações de combate ao mosquito nos municípios potiguares, com o reforçadas com limpeza pública, saneamento básico e mobilização social, como forma de eliminar criadouros.

O protocolo determina ainda que os casos suspeitos de microcefalia devem ser notificados imediatamente, por meio de formulário específico. Bem como a ocorrência de  sífilis, toxoplasmose, HIV, dengue, chikungunya e zika ocorridos durante a gestação também serão alvos de notificação mais rigorosa.

O documento determina, entre outras ações, que Estado e Municípios garantam que os partos sejam realizados nas maternidades de referência para o baixo risco. E os casos de microcefalia identificados durante a gravidez ou ao nascimento do bebê serão encaminhados para o Departamento de Pediatria do Hospital Universitário Onofre Lopes.

Além de cuidados com  acompanhamento de recém-nascidos em relação a vacinas obrigatórias e triagem neonatal (teste do pezinho, teste do olhinho e teste da orelhinha) que deverão prosseguir até os dois anos para avaliar o crescimento e desenvolvimento ideal dos bebês, sobretudo em relação ao perímetro cefálico neste período.

13 fatores para a prevenção:

A SUAS relacionou treze importantes fatores que vão contribuir diretamente para as ações de prevenção e controle vetorial nos municípios do Rio Grande do Norte:    

1  Notificar imediatamente os casos suspeitos, por meio do formulário de Registro de Eventos de Saúde Pública referente às microcefalias (RESP – Microcefalias), no endereço www.resp.saude.gov.br e no FormSus conforme orientação do CIEVS/RN;

2Reforçar as ações de prevenção e controle vetorial nos municípios, priorizando ações de limpeza pública, saneamento básico e mobilização social, adotando medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças, com a eliminação de criadouros (retirar recipientes que tenham água parada e cobrir adequadamente locais de armazenamento de água);

3Reforçar a importância da notificação no SINAN de agravos de notificação compulsória ocorridos durante a gestação, especialmente sífilis, toxoplasmose, HIV, dengue, chikungunya e zika;

4As equipes matriciais devem acolher e apoiar psicologicamente com suporte profissional especializado as gestantes nesse momento de tensão gerado pelo aumento de microcefalia e malformações nos recém-nascidos do RN/estados do NE;

5As gestantes devem ser acompanhadas em consulta de pré-natal na atenção básica, realizando todos os exames recomendados pela equipe multiprofissional de saúde. É importante a atualização das vacinas de acordo com o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde;

6As equipes multiprofissionais deverão orientar as gestantes a: não consumir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas; não utilizar medicamentos sem a orientação médica; evitar contato com pessoas com febre, exantemas ou infecções;

7As equipes multiprofissionais, os Agentes Comunitários de Saúde - ACS e de Combate Endemias - ACE deverão orientar a população a se proteger de mosquitos, mantendo suas portas e janelas fechadas ou teladas, usando calças e camisas de mangas compridas e utilizando repelentes indicados para gestantes, conforme orientação médica;
8As equipes multiprofissionais deverão orientar as gestantes que se houver qualquer alteração no seu estado de saúde, principalmente no período até o 4º mês de gestação, ou se houver persistência de doença pré-existente nessa fase, procurem a Unidade de Saúde de Referência (médicos obstetras, médico ultrassonografista e demais componentes da equipe) para que sejam tomadas as providências que promovam uma gestação segura;

9Os gestores municipais e equipes que acompanham às gestantes devem garantir que os partos sejam realizados nas maternidades de referência para o baixo risco;

10As equipes devem realizar a consulta ao recém-nascido (RN), com verificação da Caderneta de Saúde da Criança (vacinas obrigatórias e o registro da realização da Triagem Neonatal - Teste do pezinho, Teste da orelhinha e Teste do olhinho). Aproveitar para realizar apoio e incentivo ao aleitamento materno. E orientar os responsáveis quanto aos cuidados com o RN e sinais de alerta que são: dificuldade de amamentação, infecção no coto umbilical e icterícia;

11Garantir a consulta de seguimento do Crescimento e Desenvolvimento (CD) do RN, mantendo vigilância em relação ao desenvolvimento ideal, atentando para o Perímetro Cefálico (PC) e utilizando as curvas de crescimento e desenvolvimento da OMS. No caso dos prematuros, utilizar a curva de Fenton-2013 (em anexo). Manter vigilância do PC principalmente nos dois primeiros anos de vida, pois há possibilidade do RN, ao nascimento, apresentar mensuração do PC dentro dos limites da normalidade, entretanto esse desenvolvimento pode tornar-se inadequado ao longo dos dois primeiros anos;

12Nos casos de detecção de PC fora dos padrões de normalidade, referenciar para o Departamento de Pediatria do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) em Natal-RN;

13As gestões municipais deverão divulgar e orientar os profissionais de saúde sobre a padronização para a identificação dos casos suspeitos de microcefalia

Da Tribuna do Norte

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